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| Nos tempos da cinquentinha: Em maio de 1970 minha mãe ganhou um prêmio da LEG (Loteria do Estado de Goiás), no valor correspondente a um Fusca 0 Km da época. Como eu já vinha sonhando com uma moto há muito tempo, e de tanto insistir, acabei ganhando uma Yamaha YF5 50 cc, ano de fabricação 1969. Esta moto foi comprada de um professor do Colégio Pedro Gomes (em Campinas, bairro de Goiânia); estava guardada na sala da casa dele, com apenas 1.500 km rodados, quando a peguei ela tinha até o plástico de proteção do banco, que vinha naquela época nas motos 0 km. |
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Com esta moto rodei 45.000 km (de 1970 a 1973), fiz inúmeras viagens a Brasília, Itaberaí, Inhumas, Hidrolândia e região próxima a Goiânia. Fiz uma boa amizade com os motociclistas da época: Paulo Boettcher, José Luiz Bueno, Moacir Horbillon (hoje fazendeiro em Caiapônia - GO e com quem fiz minha primeira viagem de moto a Brasília em dezembro de 1970), Hermes Vargas (hoje diretor da EMSA Engenharia) e vários outros amigos. |
| Todos participaram de competições de velocidade nas ruas de Goiânia, Inhumas e no Moto Clube de Goiás (velocidade em pistas de terra). Eu não podia participar de corridas, como parte do trato que fiz com minha mãe: eu ganharia a cinquentinha mas em contrapartida prometia nunca entrar em corridas - que eram a minha paixão. |
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Em compensação eu não perdia uma corrida sequer, a exemplo desta que foi realizada no Moto Clube de Goiânia. Esta foto mostra Mauro Vieira pilotando uma Yamaha RD 200, numa prova de seis horas de duração (velocidade em pista de terra). Mauro fez dupla nesta corrida com o piloto Kurt Feichtenberger, também goiano. Kurt participou de vários campeonatos brasileiros de velocidade, se destacando no panorama nacional, competindo com Yamaha TZ 125. |
Perspectiva histórica:
Em Brasília quase não haviam motos, logo no início dos anos setenta. Eu por ter primos e amigos lá residindo, sempre que podia ia àquela cidade. Eu não perdia de forma alguma a tradicional corrida automobilística 1.000 km de Brasília, que depois de alguns anos passou a ser as 12 Horas de Brasília. A largada era sempre à meia-noite, e nos idos anos sessenta os Renault 1.093, Berlinettas Interlagos e DKW's, Karman Ghias (da revenda paulista Dacon, com motor Porsche) e os Fuscas "envenenados" gastavam aproximadamente 12 horas para cumprir a quilometragem proposta (contando paradas para reabastecimento, troca de pilotos e quebras que eram bastante comuns em corridas de longa duração). Com o correr dos anos os carros foram se tornando mais velozes e a direção da prova resolveu alterar a competição: ao invés dos 1.000 km se correriam as 12 Horas de Brasília, e assim foi feito.
Eu acompanhei de perto o início da carreira de pilotos como Alex Dias Ribeiro, Nelson Piquet, Roberto Pupo Moreno, os irmãos Wilson e Emerson Fittipaldi, José Carlos Pace, Luiz Carlos Greco, Bird Clemente, Minho e Dezinho (ambos de Goiânia) que lá sempre iam competir e outros.
Os pilotos de Brasília se concentravam em torno da revenda Volkswagen e Yamaha da época - a Camber. Alex Dias Ribeiro construiu um protótipo que fez sucesso nos 1.000 Km de Brasília - o Patinho Feio. Nelson Piquet, naquela época, mais precisamente no início de 1972 ainda era apenas o Nelsinho da Camber. Cursava Filosofia, se não me falha a memória, e batíamos papo na Ala Norte do prédio "Minhocão" da UnB (Universidade de Brasília), eu cursava Economia e fazíamos algumas matérias juntos. Piquet ia para as aulas em uma Yamaha DT 125 (das japonesas) e eu na minha F5 (cinquentinha). Roberto Pupo Moreno, era um garoto franzino de aproximadamente 14 anos de idade, ele era o "Baixinho" da Camber e estava a aprender os macetes da mecânica com o Pedrão (exímio mecânico e faz-de-tudo na empresa naquela época). A empresa era tocada quase que como uma cooperativa de amigos. O Baixinho tinha uma Yamaha Mini-enduro (50 cc).
Bem me lembro do lançamento da Yamaha XS 650 cc, modelo 1972. A Camber organizou um test-drive no estacionamento próximo ao Estádio Rei Pelé. Era uma pista improvisada onde alguns "rachas" de kart eram organizados de vez em quando. Eu por já conhecer o pessoal e por já ser motorista habilitado naquela época, tive o privilégio de dar umas voltas naquela beleza de moto que era a 650, foi uma das motos marcantes que pilotei ao longo destes trinta anos.
Como Goiânia sempre teve tradicionalmente um grande número de motocicletas, mais do que Brasília, sempre que íamos lá éramos motivo da curiosidade geral. Com o passar dos anos e com o crescimento de Brasília, isto mudou um pouco.
Nota do autor: Maiores informações sobre os modelos da Yamaha no Brasil podem ser obtidos em: Motos Antigas. Os modelos da Honda estão no link ... |