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Moto de pequeno porte, grande desempenho da Sundown Hunter 90

O meu espírito de aventura veio novamente à tona.  Eu decidi ir até Chapadão do Céu - GO e conhecer a região.  Desta forma completaria o amaciamento do motor da minha Hunter 90, e poderia ainda fazer um teste completo da moto em estradas de terra.

O que eu não esperava era transitar por estradas tão ruins e mal conservadas - tanto de asfalto, quanto de terra.  As rodovias brasileiras em geral estão esburacadas, mal remendadas, carentes de manutenção preventiva.  Algumas mereciam até mesmo serem reconstruídas.

Saí de Goiânia - GO  por volta das 08:30 hs da manhã de 19/07/2007 tomando o rumo do sudoeste goiano.  Até Rio Verde - GO enfrentei um trecho de estrada (rodovia federal BR - 060) repleto de buracos e remendos mal feitos no asfalto.  De Rio Verde a Jataí - GO o piso da rodovia está razoável.  Após Jatai - GO existem trechos onde o asfalto afundou e até derreteu pela ação dos pneus dos caminhões que transitam carregados naquele trecho.  De forma geral o estado das rodovias por onde transitei é precário.

A Hunter 90 se comportou bem, e eu consegui uma média de aproximadamente 45 km/litro de combustível no primeiro trecho da viagem.  Fui beneficiado pela quase ausência de ventos frontais, e nos trechos em que ventava o vento vinha da retaguarda o que auxiliava no bom desempenho da moto.

Após Jataí - GO segui para o entrocamento localizado após o Posto Estrela Dalva, onde peguei a estrada de terra para Chapadão do Céu.  São 122 km dos quais apenas os quarenta últimos são asfaltados.  Os primeiros vinte e poucos quilômetros foram percorridos em estrada larga de terra batida com alguns trechos de areião.  A Sundown Hunter 90 começou aí a mostrar o seu verdadeiro valor.

Ao clicar em cada foto, você a verá em tamanho maior numa outra janela.  Todas as fotos tem legenda.

Logo após o Posto Estrela Dalva, entrada para Chapadão do Céu à esquerda.    Trecho de estrada de terra - pedras afloradas - ao lado do Morro do Pião.

A estrada foi se tornando cada vez pior, a planura se converteu em alguns trechos entre serras, e a terra batida se transformou em chão empedrado (pedras pequenas/cascalho, pedras grandes) e nas baixadas haviam "bacias" de areião solto.  Além disto algumas valas e erosões laterais elevavam o grau de dificuldade da estrada. Comecei a ver que até uma moto trail teria trabalho para percorrer aqueles trechos.

Surpreendentemente a Hunter 90 superou todos os obstáculos, e eu me mantive em cima dela apesar da estrada contribuir para o contrário.  As suspensões (dianteira e traseira) apresentaram uma ótima performance, visto que foram exigidas ao máximo.  As valas, pedras soltas de vários tamanhos, areião e costelas-de-vaca exigiram ao máximo da pequena moto.  E esta superou tudo sob o meu comando.

Ao completar este trecho, pude perceber e avaliar que eu havia percorrido ali o pior trecho de estrada de terra em toda a minha vida - cerca de 62 km.  Saímos incólumes do mesmo - eu e minha valente Hunter 90.  As molas traseiras reguladas na posição intermediária e a balança traseira de seção retangular em muito contribuíram para esta excelente performance.  A Hunter 90 foi exigida ao máximo neste trecho.  Eu cambiava frequentemente a fim de manter o giro do motor em nível compatível com o piso de pedras soltas e areião nas baixadas, corrigindo a trajetória no acelerador, já que esta é uma moto pequena e leve.

Quando alcancei o asfalto novamente faltavam uns quarenta e dois quilômetros para chegar ao meu destino (Chapadão do Céu - GO).  Ao longo deste trecho de asfalto cruzei com quatro carros apenas (dois carros pequenos e duas camionetes).  Pude avistar vários animais cruzando a pista, ou andando no acostamento: um veado campeiro, três raposas, uma perdiz, várias emas, algumas seriemas, e uma grande quantidade de pássaros; e uma jibóia que tomava sol no meio da pista.

Porco Cheiroso na principal rótula (entrocamento) da cidade. Até ele é limpo na cidade que se preza por sua limpeza.    O casal de emas com seu filhote. Caminhão bi-trem na retaguarda e a Hunter 90 à frente das figuras mais conhecidas de Chapadão do Céu - GO.

Pernoitei na cidade, e no dia seguinte tirei algumas fotos da mesma e aproveitei para descansar um pouco.  Permaneci na cidade na sexta-feira (20/07/07), e no sábado saí por volta de 08:00 hs em direção ao Mato Grosso do Sul - mais precisamente Chapadão do Sul.  Chapadão do Sul - MS é um município distante cerca de 52 km de Chapadão do Céu - GO; estes dois municípios tem aproximadamente a mesma idade e uma base econômica comum.  No entanto o município matogrossense-do-sul tem crescido mais, e possui uma atividade econômica mais intensa, pois é dotado de uma melhor malha viária.

Saindo de Goiás - entrando no Mato Grosso do Sul.        Cruzando Chapadão do Sul em direção a Cassilândia _MS.

De lá segui para Cassilândia - MS numa rodovia em boas condições; daí entrei novamente no Estado de Goiás passando por Itajá, Itarumã, Caçu, seguindo daí para Rio Verde - GO.  Cheguei a Rio Verde - GO para pernoitar de sábado para domingo, especialmente para visitar meu amigo Itajara do Carmo Cunha e família.  Itajara foi meu companheiro na viagem memorável que fizemos ao sul do Brasil no início de 1980.  Naquela ocasião nós viajamos em motos 125cc, eu na minha Honda ML 125 e o Itajara em sua Yamaha RS 125.

O trecho entre Itajá e Itarumã está péssimo, a fina camada asfáltica praticamente desapareceu e no seu lugar restou uma estrada cheia de buracos, valas e pedaços remanescentes da pavimentação que um dia ali existiu.  Na realidade este trecho já foi até interditado em 2006.  De Chapadão do Céu - GO a Itarumã - GO percorri 225 km e gastei 5,75 litros de combustível, o que resultou numa média de consumo de 39,13 km por litro.  De Itarumã a Rio Verde - GO consegui uma média de 38,15 km/litro, e no trecho final entre Rio Verde - GO e Goiânia - GO alcancei a média de 40,9 km por litro de combustível.

Trecho de rodovia "asfaltada" logo após Itajá - GO.    Eu, Itajara e Luiza na garagem da casa deles em Rio Verde - GO.    Trecho da BR-060 entre Rio Verde e Acreúna - GO.

Na tarde de domingo - 22/07/2007 - cheguei de volta a Goiânia - GO após haver percorrido 1.100 km em três dias e meio.  A Sundown Hunter 90 se mostrou uma moto valente e muito resistente, com uma performance digna de destaque em estradas ruins.  A minha experiência de 37 Anos de Motociclismo contribuiu muito para que eu tirasse o máximo deste pequeno veículo de duas rodas.  Considerando os 500 km percorridos no primeiro dia de viagem - de Goiânia a Chapadão do Céu - em nove horas e meia (incluindo aí quarenta minutos para o almoço, e três paradas de aproximadamente dez minutos cada) resultou numa média excelente se considerarmos o pequeno porte e potência da Hunter 90, bem como a já mencionada precariedade das estradas que percorri.

Moto de entregas - veículo padrão dos supermercados locais em Chapadão do Céu - GO.    Caminhão bi-trem carregado de cereais (sorgo). A agricultura é a base econômica comum aos municípios de Chapadão do Céu - GO e Chapadão do Sul - MS.

Observação sobre o desempenho do motor da Hunter 90: ao rodar em descidas e com pouco vento contra alcancei velocidades de 90 km/h com o motor girando em 7.200 rpm; cheguei aos 100 km/h com 8.500 rpm.  Isto mostra que a quarta marcha possui uma boa relação de desmultiplicação (overdrive).  É interessante observar que o meu peso é em torno dos 58 kilogramas, o que somado ao peso da bagagem totalizava aproximadamente 73 kg de carga total.

O uso de terceira e segunda marchas com uma certa freqüência nos piores trechos de estrada fez com que as médias de consumo se situassem abaixo dos 40 km/litro.

No dia 23/07/2007 levei a moto à revenda Moto Limongi para a revisão dos 3.000 km.   Por haver transitado em trechos com muita terra e poeira resolvi trocar o óleo do motor nesta revisão - antes do previsto, pois havia trocado o óleo do motor na revisão dos 1.000 km e a próxima troca seria nos 4.000 km, já que só uso o óleo recomendado pela fábrica (Castrol 4T 20W50 API SG Actevo).

Durante a viagem acima mencionada eu havia notado que o motor "engasgava" quando eu desacelerava um pouco e acelerava novamente em altas rotações.  Transmiti exatamente as minhas observações do funcionamento do motor ao mecânico Biagi, da revenda Moto Limongi, e ele fez uma excelente regulagem da carburação.   A princípio eu creio que a mistura ficou pobre, o que me obrigava a utilizar o afogador para funcionar o motor frio, só fechando-o após aquecer o motor.  Antes eu não precisava usar o afogador em nenhuma ocasião (mas eu percebia que a mistura estava muito rica, até pelo cheiro exalado pelo motor/escapamento).  Retornei à revenda e aí ele completou o "afinamento" da carburação, resultando então numa perfeita mistura de gasolina e ar.

Desta forma eu utilizo o afogador ao ligar a moto pela primeira vez do dia, e após o aquecimento do mesmo eu vou fechando o afogador e aí observo que o funcionamento do motor está macio e a carburação perfeita na marcha lenta, e também rodando em trânsito urbano.

Em 17/08/2007 abasteci a minha Hunter 90, após haver percorrido 357 km de trânsito urbano.  Enchi o tanque com gasolina aditivada com 7,61 litros (a titulo de curiosidade: paguei R$ 2,27 por litro no Posto Shell da Praça do Chafariz - no cruzamento das avenidas 85 e T-63, em Goiânia - GO).  Fiquei extremamente satisfeito com a média alcançada: consegui um rendimento de 46,91 km por litro de combustível, rodando somente em trânsito urbano.  Agora sim, posso vislumbrar um rendimento superior aos 50 km/litro quando rodando em rodovias.

No dia 18/08/2007 fui à cidade de Goiás na minha Hunter 90.  Percorri 304 km no percurso total da viagem (ida e volta) com 6,92 litros de combustível, o que resulta num consumo médio de 43,93 km/litro.  Devo ressaltar que saí de Goiânia - GO às 09:30 hs e retornei de Goiás por volta das 13:30 hs.

Chegando à cidade de Goiás. Ao fundo vê-se parte da Serra Dourada.

O dia estava bem quente e seco, aliado a isto eu acelerei bastante e em vários trechos alcancei velocidades de 90 km/h (a 7.800 rpm) e até 100 km/h (a 8.200 rpm) em algumas descidas acentuadas.

Centenário coreto da praça, centro da cidade de Goiás - GO.        Meu sobrinho Juan e uma Amazonas customizada.

Após o retorno da cidade de Goiás rodei com a Hunter 90 essencialmente em trânsito urbano, e no dia 27/09/2007 ao abastecê-la tive a grata surpresa ao verificar que atingi a minha meta (coerente com a minha intenção inicial) de conseguir rodar 50 km com um litro de combustível: na realidade percorri 337,6 km com 6,74 litros de gasolina, o que resulta na fantástica média de 50,08 km/litro em trânsito urbano.

Manhã do dia 10/11/2007; nas proximidades do viaduto Latif Sebba inaugurado no dia anterior, na avenida 85 em Goiânia - GO.

Manhã do dia 10/11/2007; nas proximidades do viaduto Latif Sebba inaugurado no dia anterior, na avenida 85 em Goiânia - GO.

É bom ressaltar que a Sundown Hunter 90, na minha opinião, é uma moto voltada essencialmente para o trânsito urbano; para ser pilotada ao sabor do tráfego de veículos, preferencialmente em baixas e médias velocidades.  Apesar disto eu já fiz viagens com a mesma, e levadas em conta as suas limitações de moto de baixa cilindrada e pequeno porte ela vem me surpreendendo positivamente.  Eu pretendo em breve fazer uma nova viagem com ela, onde eu possa medir o seu consumo rodando em velocidades entre os 60 e 80 km/h em quarta marcha (tocando na "manha" mesmo).

Convém mencionar que esta pequena moto tem se mostrado excelente em estradas de terra, tanto na seca quanto na estação chuvosa.

A Sundown Hunter 90 nos anos de 2007 e 2008.

Álbum de fotos da minha Sundown Hunter 90:

https://onedrive.live.com/?id=F4596AEAEF09CF68%212304&cid=F4596AEAEF09CF68&group=0

No dia 02/05/2008 despedi-me da minha Hunter 90, e iniciei um novo capítulo na minha história motociclística: adquiri uma Sundown STX Motard.  Em breve disponibilizarei meu testemunho sobre esta moto em páginas especificamente dedicadas a este modelo.

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